A energia é uma criação política e, como tal, corresponde a um determinado arcabouço ideológico - no caso, definido por capitalismo, produtivismo e imperialismo, uma vez que veio ao mundo na Grã-Bretanha no século XIX, como resultado do uso massivo de combustíveis fósseis durante a Revolução Industrial. Daí que seja impossível frear a devastação ambiental apenas atualizando a matriz "energética" ou adotando "energias" renováveis; o xis da questão está na própria ideia de "energia". Ao condenar o desperdício e transformar a eficiência em um imperativo inquestionável, a energia foi legitimada pela ciência e transformada em "lei universal", viabilizando a exploração do trabalho humano e da natureza e a expansão do extrativismo e da acumulação. Compreender as condições que possibilitaram o "nascimento da energia" é essencial para aprimorar as leituras da crise climática e elaborar soluções reais para o colapso.